A Associação Ambiental Voz da Natureza é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) fundada em 2003 por estudantes motivados em sensibilizar a sociedade para a conservação dos ambientes naturais e uso sustentável de seus recursos.

A instituição busca promover a conservação da diversidade biológica e sociocultural, contribuindo para uma interação harmônica entre a sociedade e o meio ambiente.

Entre as atividades realizadas pela Voz da Natureza podemos destacar pesquisas científicas e diagnósticos ambientais voltados para a conservação e gestão dos recursos naturais.   Outras atividades de destaque são: ações de educação ambiental que promovem a sensibilização e difusão do conhecimento, organizações de eventos na área ambiental e o envolvimento em políticas socioambientais por meio de conselhos, grupos de trabalho e fóruns de debate.
Pesquisas e conservação de Peixes Marinhos

O estudo das comunidades de peixes marinhos e estuarinos é uma das atividades realizadas por integrantes da Voz da Natureza. Os peixes são um dos últimos recursos naturais da fauna brasileira que ainda é permitida a captura. Este recurso possui alta importância comercial e social no Espírito Santo, pois é capturado por um grande número de pescadores profissionais e amadores. O estudo e monitoramento das comunidades de peixes são de grande importância para o conhecimento e manutenção da saúde de nossos ecossistemas aquáticos. O rápido desenvolvimento portuário-industrial na costa capixaba tem destruído habitats essenciais para o ciclo de vida de muitas espécies de peixes. Além disso, o crescimento da população nas zonas costeiras tem aumentado a demanda pelos recursos naturais. A combinação destes processos tem causado efeitos negativos sobre a fauna de peixes, prejudicando a recuperação das espécies. As espécies mais ameaçadas são aquelas de ciclo de vida longo, que reproduzem poucos filhotes e que dependem de habitats costeiros (mangues, estuários e praias) para reprodução ou crescimento. Assim, atualmente, muitas espécies estão ameaçadas na costa capixaba. Um recente exemplo foi a sobre-exploração da população do peroá branco (Balistes capriscus). A poucos anos atrás este era um recurso abundante e barato, um típico atrativo gastronômico e turístico das praias do litoral capixaba. Atualmente, a Voz da Natureza é capacitada para realizar estudos de peixes em regiões de manguezal, estuários, praias, lagoas costeiras, zonas costeiras de fundo lamoso, bancos de rodolitos e recifes rochosos e biogênicos, atuando desde a linha de costa até recifes mesofóticos situados em profundidade de até 80 m. Todas nossas pesquisas são desenvolvidas em parceria com o Laboratório de Ictiologia (Ictiolab) da Universidade Federal do Espírito Santo.
Neste contexto as pesquisas realizadas por integrantes da Voz da Natureza têm contribuído para:


                                                                                                           Peroá branco - Balistes capriscus

  • Discussão de períodos de reprodução das espécies (períodos de defeso);
  • Análise de habitats essenciais para o ciclo de vida das espécies (reprodução, alimentação e crescimento);
  • Propostas de ordenamento pesqueiro e criação de unidades de conservação para a pesca artesanal (áreas de uso sustentável) e áreas de produção pesqueira (áreas protegidas);
  • Análise do estado de ameaça da fauna capixaba;
  • Biogeografia, Ecologia e Evolução de Peixes recifais da Cadeia Vitória-Trindade;
  • Confecção de material educativo.                                                                                                     





Monitoramento de pinguins-de-magalhães na costa do Espírito Santo.


Projeto em parceria com o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA)
Convênio 007/2011 (Valor: R$ 29.904,26).

O projeto contempla o atendimento veterinário e manejo de pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus), e compila os registros de 2011, buscando definir as variáveis envolvidas no fenômeno do encalhe em massa, especialmente as relacionadas à saúde dos estoques pesqueiros e eventos climáticos. O projeto também colaborou com a temporada de 2012 ao adquirir microscópio, Lupa, uma piscina de 17.000 L, tendas gazebo, 2 aparelhos congeladores e vários outros equipamentos e materiais utilizados na reabilitação dos pinguins recolhidos, em uma ação conjunta com outras instituições, como o IBAMA e o IPRAM. Ao otimizar o atendimento dos pinguins no Espírito Santo, aumentam as possibilidades de se extrair cada vez mais informações destes excelentes bioindicadores, além do caráter humanitário da reabilitação, que é cobrada pela sociedade.


Orientações ao Encontrar um Pinguim: 


O pinguim está nadando na praia

Caso você veja um pingüim nadando próximo à praia, fugindo das pessoas, nadando entre os barcos, ativo e esperto; não tente capturá-lo, deixe-o livre. Ele ainda está saudável, não necessita ser resgatado e você pode se ferir na tentativa. O pingüim só deve ser capturado em caso de encalhe. Afaste-se para permitir que ele venha para a praia caso esteja debilitado; do contrário ele vai ficar com medo e não vai sair da água. 

O pinguim já foi capturado!

Se pinguim estiver fraco, boiando próximo às pessoas, “capotando” nas ondas, sendo jogado contra as pedras, ou cansado na areia da praia, ele provavelmente será capturado por banhistas e curiosos.
Guarde-o em uma caixa de papelão forrada com jornal ou pano, mantenha-o SECO e AQUECIDO, e afastado dos curiosos. Se possível, próximo a uma lâmpada incandescente para ajudar no aquecimento, ou garrafas contendo água aquecida. Se esses cuidados não forem tomados, ele poderá morrer. Não o molhe, nem o coloque para nadar. Não tente alimentá-lo, não o manipule e não deixe que crianças encostem nele.


Por que não devo colocá-lo no frio?
Os pinguins de Magalhães não vivem no gelo da Antártida; eles são originários da Patagônia, no extremo sul do nosso continente, e possuem temperatura corporal entre 38,5 e 41 ºC. Em nosso país eles chegam cansados, desnutridos e com frio, pois esgotaram suas reservas energéticas. Pessoas bem intencionadas que colocam pinguins em locais frios os levam a óbito por hipotermia.




Por que não devo molhar o pinguim?
Não molhe o pinguim. Ele perdeu a sua capacidade de isolamento térmico e impermeabilidade. Se você o molhar ele continuará encharcado e com frio, podendo morrer.

O pinguim está com o corpo manchado por óleo!
Use algum tecido para manipular o pinguim. Não use luvas de borracha ou látex. Não deixe o óleo entrar em contato com sua pele. Não tente remover o óleo em hipótese alguma. Mantenha-o em ambiente seco, aguardando o resgate.

Devo dar comida para o pinguim? 
Não. No primeiro contato eles costumam ter medo dos humanos, e a tentativa pode estressá-los ainda mais. Além disso os espinhos de um peixe mal posicionado ou de uma espécie errada pode lesionar a boca. Ele devem ser alimentados por uma equipe capacitada.

Como devo transportar o pinguim?
Caso seja extremamente necessário, quem for transportar o pinguim em algum veículo não deve colocá-lo no porta malas ou em compartimentos abafados, pois ele morrerá no calor excessivo. Transporte o pingüim como você transportaria uma criança, pois ele também precisa de ventilação e temperatura amenas. Leve-o de preferência dentro de uma caixa aberta, no banco dos passageiros. Atenção com as fezes, que podem atravessar o fundo de caixas de papelão. Transporte-o apenas se for a última opção, e em trajetos curtos, até entregar à autoridade competente, pois é necessário possuir uma licença específica para capturar e transportar animais selvagens.

Para onde levar o pinguim?
Informe os órgãos ambientais locais sobre o encalhe do pinguim. Eles irão encaminhá-lo ao local apropriado e autorizado mais próximo ao seu município, ou irão acionar os responsáveis pelo recolhimento. É importante lembrar que o encalhe de pinguins mortos também pode ser comunicado aos órgãos oficiais, pois a análise desses dados colabora para a investigação do fenômeno.

Ilustrações: Danilo Brito